sábado, 28 de março de 2015

As Crônicas de Eu - O Mistério da Floresta


       Em uma cidadezinha perto de uma floresta, morava eu e minha família, quando certo dia observei que as arvores que havia na rua de frente a minha casa pareciam que corriam da floresta. Dia após dias, pareciam estar alguns passos a mais em direção ao sul, intrigado com o ocorrido, fui as margens da cidadezinha, local onde já não residia ninguém, apenas possuía alguns casebres abandonados. Bestificado fiquei ao deparar com a floresta literalmente invadindo as casas, pareciam que corriam de algo. Mas corriam do que? Entrei na floresta para pesquisar a fundo.


    Algumas léguas adentro a floresta se mostrou mais densa e hostil, os bichos pareciam desorientados e amedrontados. De todos os animais que encontrei, apenas o Tatu de Casco Azul parou para me explicar o que estava acontecendo. O mesmo me contou que uma força maligna estava presente na floresta, destruindo tudo que estava em seu caminho. Eu, curioso que era, insisti ao Tatu que me levasse para ver com meus próprios olhos a tal criatura maligna. Este aceitou, desde que apenas observássemos de longe. Subi nas costas do Tatu Azul e fomos em direção às partes montanhosas, local este onde a besta havia sido vista por ultimo.


     Conforme avançávamos, éramos obrigados a desviar de animais imensos que corriam desesperados em nossa direção abrindo caminho entre as arvores. Algumas horas depois, começamos a contornar a montanha procurando sempre um ponto mais elevado para poder avistar a fera com antecedência. Assim que contornamos um rochedo, nos deparamos com um grande barranco e logo abaixo a temível ferra. Eu não acreditava no que via, o espírito maligno a qual todos temiam era uma arvore gigante, que deveria ter três vezes a altura de uma arvore normal, folhas escuras, espinhos e galhos que pareciam garras, estes que por sinal se movimentavam. E era possível observar que a arvore má se deslocava vagarosamente em direção das demais arvores que tentavam fugir, as que não conseguiam eram arrancadas do chão, quebradas ao meio e tinha os seus frutos comidos.


Ao tentar me aproximar dela, algo terrível aconteceu, alguma coisa se chocou violentamente na montanha fazendo um enorme barulho e desmoronou o barranco em que estávamos em cima, nos jogando muito próximo da Árvore Má. O Tatu no desespero correu o quanto pode para longe, me abandonando a alguns metros da besta. Nesse momento temi pela minha vida, mas antes mesmo que eu conseguisse fazer as minhas pernas pararem de tremer, percebi que o Espírito Maligno havia mudado o seu rumo, já não perseguia as árvores, estava mais interessado em algo que estava a minha direita. A primeira vista, apenas dava para ver uma luz clara, mas assim que a poeira foi se assentando pude ver claramente o que causou a explosão. ‘Ai meu Deus, um estrela cadente!’ E ainda estava ferida pelo impacto. E o pior, a Árvore se aproximava rapidamente de sua preza inocente. No impulso, não tive tempo de avaliar os riscos, quando me vi já estava correndo em direção da Estrelinha, peguei-a nos braços e corri o quanto pude. Senti que galhos da Árvore passaram muito próximo de mim como se fossem garras. Com muito esforço consegui subir em uma pedra bem alta e ficar momentaneamente fora do alcance da arvore.


     A Lua que observava lá de cima tudo o que estava acontecendo, lançou-se em direção a terra e veio em amparo de sua filha, a pequena Estrela Cadente. Assim que se pôs de frente com a Árvore Má, lançou sua luz que queimou a sua vitima por completo e só parou quando esta já não passava de pó. Por mais que a primeira vista possa parecer assustador, a cena foi de grande alivio à floresta que explodiu em festa. Os pássaros cantavam, as arvores soltavam suas flores sob o vento, os macacos retornaram com suas macaquices e até o Tatu que outrora havia me abandonado, me olhava de forma a pedir desculpas. Mas o mais incrível que me aconteceu foi quando a Lua jogou o seu olhar sob mim e reconheceu a sua filha Estrela em meus braços, jamais sentirei um sentimento tão grande de gratidão.

    
      As demais estrelas do céu a pedido de sua mãe, desceram até a terra e após um baile entre as arvores e animais que ali se encontravam, vieram em minha direção e me rodearam em forma de espiral e levaram com elas a Estrelinha ferida e voltaram em direção de sua mãe que avaliava tudo de longe de forma compassiva. As estrelas se juntaram a baixo da mãe Lua e a levaram de volta para o céu. Uma semana após toda essa história, as arvores que invadiam a cidade já haviam retornado quase todas as florestas. E para a minha alegria, todo verão a estrelinha que salvei as Arvore Má vem me visitar.

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